Artigos do Autor: jario

A patologia e suas divisões..

Segundo Farias (2003), Bogliolo (2007), a patologia divide-se em duas grandes áreas: a geral e a especial ou dos orgãos.

A patologia geral estuda os processos patológicos de um modo geral nas células e nos tecidos, ou seja aspectos comuns às diferentes doenças no que se refere a causa, mecanismo patogenéticos, lesões estruturais e alterações na função, sem considerar em que órgão estão localizados. É de fundamental importâancia, pois o conhecimento é aplicado a qualquer células, tecido ou órgão. Portanto a base da patologia especial.

A patologia especial baseia-se nas doenças pertinente a um determinado órgão ou sistema ou estuda as doenças agrupadas por suas causas.

Explicando a figura:

A patologia engloga as diferentes áreas, como a etiologia (estudo das causas), patogênese (estudo dos mecanismos), anatomia patológica (estudo das alterações morfologicas dos tecidosque, em conjunto, recebem o nome de lesões) e a fisiopatologia (estudo das alterações funcionais dos orgão afetados). O estudo dos sinais e sintomas das doenças é o objeto da propdêutica ou semiologia, cuja finalidade é fazer o diagnóstico, a partir do qual se estabelece o prognóstico, a terapéutica e a prevenção.

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Transcriptase reversa

Transcriptase reversa (também conhecida como DNA-polimerase RNA-dependente), é uma enzima que realiza um processo de transcrição ao contrário em relação ao padrão celular. Essa enzima polimeriza moléculas de DNA a partir de moléculas de RNA, exatamente o oposto do que geralmente ocorre nas células, nas quais é produzido RNA a partir de DNA.
É exatamente por possuir essa enzima que alguns vírus, dentre eles o HIV, são chamados de retrovírus. Após estar na célula-hospedeira a transcriptase reversa utiliza os nucleotídeos presentes no citoplasma para montar uma fita de DNA juntamente a fita de RNA viral. A enzima RNAse é incumbida de desagregar a fita de RNA por hidrólise e deixar a simples fita de DNA solta no citoplasma. Volta a transcriptase reversa que completa essa fita de DNA, tornando-a a dupla hélice de nucleotídeos a serem integradas no DNA da célula-hospedeira com auxílio da enzima integrase. A partir desse molde os ribossomos da células hospedeira fazem a tradução para produzir proteínas virais. E novamente serem capazes de formar novos vírions capazes de infectar novas células, o tipo de celular a ser infectado é determinado pelo pelo tropismo viral.

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Para um antígeno há sempre uma resposta…

A defesa do hospedeiro é baseada na disponibilidade de recursos para combater um patógeno localizado. Virtualmente todos os patógenos possuem uma fase extracelular durante a qual eles são vulneráveis aos mecanismos efetores mediados por anticorpos. Um agente extracelular pode residir nas superfícies de células epiteliais, onde anticorpos (IgA) e células inflamatórias não-específicas podem ser suficientes para combater a infecção. Mas se o agente reside dentro de espaços intesticiais, no sangue ou linfa então a proteção pode também incluir componentes do complemento, fagocitose por macrófagos e respostas de neutralização. Agente intracelulares necessitam de uma resposta diferente para serem efetivos, seria ativação e linfócitos T, células NK e macrófagos dependente de células T.

Fonte: Actor, Imunologia e Microbiologia. 2007

Causas da infecção e seus respectivos mecanismos de defesa:

Bactérias: anticorpo, complexo imune e citotoxicidade
Micobactérias: DTH e reação granulomatosa
Vírus: anticorpo (neutralização), CTL
Protozoários: DTH e anticorpo
Fungos: DTH e reação granulomatosa

INFECÇÕES CAUSADAS POR MICOBACTERIAS

Segundo Actor, as micobactérias evoluiram para inibir os mecanismos de morte efetuados por macrófagos, conseguindo desta forma sobreviver.

Como consequência, micobacterias como a da tuberculose e da hanseníase induzem uma resposta de hipersensibilidade tardia levando a formação de granulomas.

Entenda a formação do granuloma.

Inicialmente, ocorre a proliferação de macrófagos, na tentativa de fagocitar o agente; essas células maturam e podem adquirir um novo padrão, passadno a ser chamadas de célula epitelóide, esse mecanismo ocorre devido a ação de citocinas, dentre elas IL-2 e interferon gama.

As células epitelióides podem ainda fusionar, originando as células gigantes multinucleadas, conhecidas como células de Langhans. Essas células ocupam, inicialmente, a porção central do granuloma. Na periferia, são observados linfócitos do tipo T, os quais caracterizam uma resposta de hipersensibilidade tardia.

Na periferia ainda proliferam fibroblastos e vasos sangüíneos, um para dar suporte a estrutura granulomatosa e o outro para nutri-la.

Com o crescimento do granuloma (tumor), sua porção central pode sofrer necrose caseosa, devido a carência nutricional, contribuindo para a formação de um centro necrótico.

Saiba mais:

Imunoterapia: o impacto médico do século , Tuberculose , Hanseníase , Granuloma não-infeccioso (sarcoidose) , Imagens (granulomas)

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Introdução a microbiologia

Microbiologia: Mikros (= pequeno) + Bio (= vida) + logos (= ciência). A Microbiologia era definida, até recentemente, como a área da ciência que dedica-se ao estudo dos microrganismos, um vasto e diverso grupo de organismos unicelulares de dimensões reduzidas, que podem ser encontrados como células isoladas ou agrupados em diferentes arranjos (cadeias ou massas), sendo que as células, mesmo estando associadas, exibiriam um caráter fisiológico independente.
Infecção hospitalar: artigos relacionados
  1. Infecção hospitalar e suas implicações para o cuidar da enfermagem
  2. Freqüência de cepas produtoras de enzima beta lactamase de espectro expandido (ESBL) e perfil de susceptibilidade de Klebsiella pneumoniae em hemoculturas no berçário de um hospital de Fortaleza
  3. Desafios do cuidar em saúde frente a resistência bacteriana: uma revisão
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Invasão e Residência Intracelular

Células fagocíticas (por exemplo, macrófagos) formam pseudópodos por meio de rearranjos do citoesqueleto que envolvem polimerização e despolimerização da actina. Estas células fagocitam bactérias pela emissão de pseudópodos que as capturam e internalizam. Algumas bactérias possuem proteínas de superfície denominadas de invasinas que provocam alterações no citoesqueleto de células não-fagocíticas que emitem uma projeção da membrana plasmática semelhante a um pseudópodo, fagocitando a bactéria. O mecanismo de ação das invasinas não está claro. Estas proteínas são também denominadas de fatores de invasão.

Bactérias fagocitadas por células do hospedeiro são inclusas em uma bolsa membranosa denominada fagossomo. No citoplasma, o fagossomo funde-se a uma outra vesícula membranosa, o lisossomo, que contém enzimas hidrolíticas que digerem a bactéria. Algumas bactérias patogênicas como Salmonella enterica sorovar Typhi e Shigella dysenteriae conseguem romper a membrana do fagossomo antes que esta se funda com um lisossomo. Desta forma, alcançam o citoplasma onde se multiplicam. O citoplasma oferece nutrientes e proteção contra os mecanismos imunológicos, além de proteger parcialmente contra antibióticos. Interagindo com os filamentos de actina a bactéria movimenta-se pelo citoplasma e alcança as células adjacentes.

Muitos patógenos intestinais possuem invasinas que interagem com certas proteínas de células da mucosa do hospedeiro, as integrinas, localizadas na sua porção baso-lateral. Existe a possibilidade de que as invasinas que interagem com integrinas mediem a invasão destas células por baixo. Alguns patógenos intestinais usam as células M da mucosa como porta de entrada para os tecidos subjacentes. As células M são fagocíticas e bactérias que a elas se anexem, muito provavelmente serão fagocitadas e transportadas ao tecido linfóide subjacente à mucosa. Se as bactérias escapam dos macrófagos associados ao tecido linfóide, as células M constituem uma forma conveniente do uso do sistema imunológico do hospedeiro para a invasão. As invasinas poderiam estimular as células M a fagocitar a bactéria.

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Fatores de colonização

Uma vez que muitas das defesas não-específicas envolvem a remoção mecânica do patógeno, fatores de aderência são atributos que permitem à bactéria aderir-se nos tecidos do hospedeiro impedindo ou dificultando sua remoção. Os fatores de aderência (também denominados, fatores de colonização, adesinas ou antígenos de aderência) são componentes estruturais das células bacterianas que as capacitam a colonizar, sobreviver e multiplicar-se em um dado tecido. Praticamente todos os patógenos possuem estratégias de adesão aos tecidos de seus hospedeiros. A adesão é particularmente importante em órgãos como a boca, o intestino delgado e a bexiga.
Nestes sítios, a superfície das mucosas são constantemente banhadas por fluidos. Por exemplo, quando o intestino delgado de uma pessoa torna-se infectado com linhagens diarregênicas de Escherichia coli, a adesão às células da mucosa desse órgão evita que a bactéria seja removida pelos movimentos peristálticos, sendo um evento essencial para a colonização e um dos primeiros passos para o estabelecimento de uma quadro clínico. Os fatores de colonização são produzidos por numerosos bactérias e constituem um passo vital para o processo infeccioso, aumentando as chances de sobrevivência no hospedeiro, sendo reconhecidos fatores de virulência. Dois sistemas de aderência são bem conhecidos em bactérias: os mediados por fímbrias e os mediados por cápsulas.

Fímbrias

Fímbrias são filamentos protéicos delgados que se projetam da superfície da bactéria e a adesão ocorre quando sítios de ligação em suas extremidades reagem com receptores específicos situados na superfície das células do hospedeiro. Esses receptores são comumente resíduos de carboidratos de glicoproteínas ou de glicolipídeos. Normalmente, tais moléculas estão envolvidas com a fixação da célula em seu tecido específico. As bactérias fimbriadas subvertem a função normal desses receptores para proveito próprio.
A ligação de uma fímbria a um receptor é tecido-específica e espécie-específica. Essa especificidade irá determinar se uma bactéria poderá ou não colonizar um dado tecido de um determinado hospedeiro. A ausência de um receptor específico para uma fímbria particular pode tornar um hospedeiro imune à infecção por um determinado patógeno.
Para causar uma infecção, muitas bactérias precisam primeiramente aderir à superfície de um tecido do hospedeiro como às superfícies das mucosas das vias aéreas superiores ou do intestino delgado. No trato respiratório superior, as células ciliadas movimentam muco e bactérias aprisionadas em direção à laringe. A mucosa do intestino delgado, por sua vez, é continuamente limpa pela liberação de muco e pela atividade peristáltica. Além disso, as células dos epitélios renovam rapidamente as suas. Por exemplo, a monocamada epitelial do trato intestinal é continuamente preenchida e novas células são movidas das criptas para as extremidades das vilosidades em cerca de 48 horas. Para que uma bactéria estabeleça uma infecção no intestino, esta deve aderir-se firmemente ao epitélio e multiplicar-se antes de ser removida pelo muco e pela extrusão das células epiteliais.
Bactérias colonizando um tecido estão constantemente perdendo suas fímbrias por quebra mecânica devido à fragilidade de suas estruturas. Por outro lado, estas estão continuamente sintetizando e montando novas unidades. O hospedeiro é capaz de produzir anticorpos que se aderem às pontas das fímbrias bloqueando fisicamente a interação com seus receptores celulares e, conseqüentemente, impedindo sua aderência ao tecido. Algumas bactérias são capazes de produzir diferentes tipos de fímbrias, tornando obsoleta a resposta imune. Algumas bactérias que causam infecções do trato urinário e gonorréia usam essa estratégia tornando praticamente impossível a montagem de uma resposta imunológica que evite a colonização.
Muitas bactérias patogênicas parecem usar fímbrias para um contato inicial, seguido de uma anexação mais firme envolvendo proteínas de superfície que promovem um contato íntimo de sua superfície com a da célula do hospedeiro.
As fímbrias mais bem estudadas são aquelas de bactérias Gram-negativas, especialmente as de linhagens de E. coli associadas a diarréia em humanos e animais que aderem às células da mucosa do intestino delgado de seus hospedeiros através de diferentes fímbrias espécie-específicas.
Algumas bactérias Gram-positivas possuem estruturas de superfície semelhantes a fímbrias mas sua função na colonização não está clara.

Adesinas não-fibrilares

Algumas bactérias possuem proteínas de superfície que são componentes importantes de sistemas que mediam a adesão e/ou a invasão de células de um determinado tecido. Diferentes linhagens da mesma espécie bacteriana podem ter sua aderência mediada por adesinas não-fibrilares ou por fímbrias. Por exemplo, linhagens enteropatogênicas de E. coli (EPEC) aderem às células da mucosa do intestino delgado através de proteínas de superfície enquanto que linhagens enterotoxigênicas de E. coli (ETEC) aderem a estas mesmas células por meio de fímbrias.

Cápsulas

Cápsulas são redes de polímeros não bem estruturadas e que recobrem frouxamente a superfície bacteriana. As cápsulas são formadas principalmente por camadas de polissacarídeos produzidas em grandes quantidades e que muitas vezes confinam uma população de bactérias em uma massa densa e viscosa. Por exemplo, a placa bacteriana dos dentes é freqüentemente composta de uma comunidade multi-específica de bactérias atuando em consórcio e que pela produção de cápsulas formam uma massa polissacarídica que promove a firme adesão dessa comunidade bacteriana nos dentes, nas gengivas e na língua.
Bactérias encapsuladas são mais virulentas e mais resistentes à fagocitose que as não-encapsuladas. Microrganismos que causam bacteremia, como Pseudomonas aeruginosa, apresentam maior resistência sérica que outras bactérias. A resistência sérica pode estar relacionada à quantidade e a composição dos antígenos capsulares. A bactéria Salmonella typhi possui um antígeno de superfície, o antígeno Vi, composto de um polímero de galactosamina, que se acredita aumentar sua virulência.
Algumas bactérias têm capacidade de sobreviver e multiplicar-se em fagócitos. Um exemplo é a bactéria Mycobacterium tuberculosis, cuja sobrevivência parece depender da estrutura e composição de sua superfície celular.

Biofilmes

Biofilmes são comunidades complexas de microrganismos compostas por densos agregados de células microbianas embebidas em uma matriz viscosa produzida por elas mesmas a anexada a superfícies. Biofilmes bacterianos formam-se em muitos tipos de ambientes e têm sido observados em micrografias eletrônicas dos tratos vaginal, bucal e intestinal. A microbiota residente nestes sítios pode estar organizada em biofilmes e os densos tegumentos que formam podem explicar em parte sua barreira funcional na proteção ao seu hospedeiro.
Os biofilmes têm importância clínica por constituírem um mecanismo de colonização da superfície dos dentes, de cateteres e de implantes plásticos como válvulas cardíacas artificiais, podendo causar doenças graves. Infecções hospitalares em pacientes com cateteres urinários ou venosos são geralmente precedidas pela formação de biofilmes nas paredes internas dos cateteres: fragmentos liberados do biofilme podem penetrar na bexiga ou na corrente sangüínea.
Cateteres estão especialmente sujeitos ao desenvolvimento de biofilmes. Instrumentos esterilizados contaminam-se com membros da microbiota orgânica durante sua inserção. Se o cateter permanecer no
local por um período de tempo, os biofilmes desenvolvem-se e servem de fonte de infecções duradouras por liberam células bacterianas continuamente.
Microrganismos presentes em biofilmes são mais refratários a antibióticos que organismos livres e são parcialmente protegidos da ação destruidora dos fagócitos. Implantes plásticos contaminados com bactérias são removidos cirurgicamente ao invés de se tratar o paciente com antibióticos. A capacidade de formar biofilmes sobre superfícies plásticas deve ser considerada como um fator de virulência bacteriana.

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Microbiota Bacteriana Humana

Todo ser humano nasce sem microrganismos. A aquisição da microbiota bacteriana envolve uma transmissão horizontal, ou seja, infecciosa de microrganismos. A colonização de superfícies expostas como a pele, o trato respiratório, o sistema gênito-urinário e o trato digestório, começa imediatamente após o nascimento seja durante o parto normal, parto cesariana ou amamentação. Padrões de alimentação, hospitalização e tratamento com antibióticos são fatores que afetam a composição da microbiota intestinal em crianças.

As diversas partes do corpo humano apresentam condições ambientais diversas que oferecem certas vantagens e desvantagens para a vida microbiana. Diferentes espécies de microrganismos adaptam-se aos distintos ambientes do corpo.

A microbiota normal humana desenvolve-se por sucessões, desde o nascimento até as diversas fases da vida adulta, resultando em comunidades bacterianas estáveis.

Os fatores que controlam a composição da microbiota em uma dada região do corpo estão relacionados com a natureza do ambiente local, tais como temperatura, pH, água, oxigenação, nutrientes e fatores mais complexos como a ação de componentes do sistema imunológico.

Estima-se que o corpo humano que contém cerca de 10 trilhões de células seja rotineiramente portador de aproximadamente 100 trilhões de bactérias. A composição da microbiota bacteriana humana é relativamente estável com gêneros específicos ocupando as diversas regiões do corpo durante períodos particulares na vida de um indivíduo. A microbiota humana desempenha funções importantes na saúde e na doença.

Os microrganismos membros da microbiota humana podem existir como (1) mutualistas, quando protegem o hospedeiro competindo por micro-ambientes de forma mais eficiente que patógenos comuns (resistência à colonização), produzindo nutrientes importantes e contribuindo para o desenvolvimento do sistema imunológico; (2) comensais, quando mantêm associações aparentemente neutras sem benefícios ou malefícios detectáveis e (3) oportunistas, quando causam doenças em indivíduos imunocomprometidos devido à infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, terapia imunossupressora de transplantados, radioterapia, quimioterapia anticâncer, queimaduras extensas ou perfurações das mucosas.

A microbiota humana constitui um dos mecanismos de defesa contra a patogênese bacteriana, mas ainda que a maioria dos componentes da microbiota normal seja inofensiva a indivíduos sadios, esta pode constituir um reservatório de bactérias potencialmente patogênicas. Muitas bactérias da microbiota normal podem agir como oportunistas. Nestas condições a microbiota residente pode ser incapaz de suprimir patógenos transitórios, ou mesmo, alguns membros da microbiota podem invadir os tecidos do hospedeiro causando doenças muitas vezes graves. Em indivíduos sadios, algumas espécies de bactérias da microbiota oral causam cáries em 80% da população.

Fontes

Madigan MT, Martinko JM & Parker J. 1996. Biology of microorganisms, 8th. Prentice Hall, NJ, USA.

Trabulsi L.R et al. 1999. Microbiologia, 2a ed., Atheneu, SP.

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Microbiologia na Antártica

As biólogas Vivian Pellizari e Cristina Nakayama, doInstituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), são pesquisadoras brasileiras que estão com os olhos, ou melhor, os microscópios na Antártica. Elas já estiveram no continente gelado fazendo monitoramento ambiental dos impactos da presença humana na área da Estação Comandante Ferraz. Agora, as especialistas em microbiologia preparam-se para voltar à região em novembro para ampliar a pesquisa, coletando mais amostras de microorganismo. Dessa vez, graças à mobilização do Ano Polar, o trabalho é maior. Elas vão ajudar a criar um banco de dados dos microorganismos antárticos, que, além de fazer parte do Censo da Vida Marinha Antártica, vão estar disponíveis no banco de microbiologia da Universidade de Campinas, junto com as amostras de outros ecossistemas terrestres

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Histórico da importância da microbiologia

Efeitos das doenças nas civilizaçõesTalvez um dos aspectos mais negligenciados quando se estuda a microbiologia refere-se às profundas mudanças que ocorreram no curso das civilizações, decorrentes das doenças infecciosas.De forma geral, as doenças provocavam um abatimento físico e moral da população e das tropas, muitas vezes influenciando no desenrolar e no resultado de um conflito.A própria mobilização de tropas, resultando em uma aglomeração, muitas vezes longa, de soldados, em ambientes onde as condições de higiene e de alimentação eram geralmente inadequadas, também colaborava na disseminação de doenças infecciosas, para as quais nnao exisitam recursos terapêuticos.Paralelamente, em áreas urbanas em franca expansão, os problemas mencionados acima eram também de grande importância, pois rapidamente as cidades cresciam, sendo que as instalações sanitárias geralmente eram completamente precárias.Com a prática do comércio entre as diferentes nações emergentes, passou a haver a disseminação dos organismos para outras populações, muitas vezes susceptíveis a aqueles agentes infecciosos.Abaixo listaremos, brevemente, um pequeno histórico com alguns exemplos dos efeitos das doenças microbianas no desenvolvimento de diferentes civilizações.O declínio do Império Romano, com Justiniano (565 AC), foi acelerado por epidemias de peste bubônica e varíola. Muitos habitantes de Roma foram mortos, deixando a cidade com menos poder para suportar os ataques dos bárbaros, que terminaram por destruir o Império.Durante a Idade Média varias novas epidemias se sucederam, sendo algumas amplamente disseminadas pelos diferentes continentes e outras mais localizadas. Dentre as principais moléstias pode-se citar: Tifo, varíola, sífilis, cólera e peste.Em 1346, a população da Europa, Norte da África e Oriente Médio era de cerca de 100 milhões de habitantes. Nesta época houve uma grande epidemia da peste, que disseminou-se através da “rota da seda” (a principal rota mercante para a China), provocando um grande número de mortes na Ásia e posteriormente espalhando-se pela Europa, onde resultou em um total de cerca de 25 milhões de pessoas, em poucos anos.Novas epidemias da peste ocorreram nos séculos XVI e XVII, sendo que no século XVIII (entre 1720 e 1722), uma última grande epidemia ocorreu na França, matando cerca de 60% da população de Marselha, de Toulon,. 44% em Arles, 30% em Aix e Avignon.A epidemia mais recente de peste originou-se na China, em 1892, disseminando-se pela Índia, atingindo Bombaim em 1896, sendo responsável pela morte de cerca de 6 milhões de indivíduos, somente na Índia.Antes da II Guerra Mundial, o resultado das guerras era definido pelas armas, estratégias e “pestilência”, sendo esta última decisiva. Em 1566, Maximiliano II da Alemanha reuniu um exército de 80.000 homens para enfrentar o Sultão Soliman da Hungria. Devido a uma epidemia de tifo, o exército alemão foi profundamente dizimado, sendo necessária a dispersão dos sobrevivente, impedindo assim a expulsão das hordes de tribos orientais da Europa nesta época.Na guerra dos 30 anos (1618-1648), onde protestantes se revoltaram contra a opressão dos católicos, além do desgaste decorrente da longa duração do confronto, as doenças foram determinantes no resultado final.Na época de Napoleão, em 1812, seu exército foi quase que completamente dizimado por tifo, disenteria e pneumonia, durante campanha de retirada de Moscou. No ano seguinte, Napolãeo havia recrutado um exército de 500.000 jovens soldados, que foram reduzidos a 170.000, sendo cerca de 105.000 mortes decorrentes das batalhas e 220.000 decorrentes de doenças infecciosas.Em 1892, outra epidemia de peste bubônica, na China e Índia, foi responsável pela morte de 6 milhões de pessoas. Até a década de 30, este era quadro, quando Alexander Fleming, incidentalmente, descobriu um composto produzido por um fungo do gênero Penicillium, que eliminava bactérias do gênero Staphylococcus, um organismo que pode produzir uma vasta gama de doenças no homem. este composto denominado penicilina teve um papel fundamental na desfecho da II Guerra Mundial, uma vez que passou a ser administrado às tropas aliadas, enquanto o exército alemão continuava a sofrer pesadas baixas no campo de batalha.Além destas epidemias, vale ressaltar a importância das diferentes epidemias de gripe que assolaram o mundo e que continuam a manifestar-se de forma bastante intensa até hoje. Temos ainda o problema mundial envolvendo a AIDS, o retorno da tuberculose (17 milhões de casos no Brasil) e do aumento progressivo dos níveis de resistência aos agentes antimicrobianos que vários grupos de bactérias vêm apresentando atualmente.

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Microbiologia na Atualidade

A Microbiologia na atualidadeA definição clássica de “microbiologia” mostra-se bastante imprecisa, e até mesmo inadequada, frente aos dados da literatura publicados nesta última década. Como exemplo pode-se citar duas premissas que já não podem mais ser consideradas como verdade absoluta na conceituação desta área de conhecimento: as dimensões dos microrganismos e a natureza independente destes seres.Em 1985 foi descoberto um organismo, denominado Epulopiscium fischelsoni que, a partir de 1991, foi definido como sendo o maior procarioto já descrito, exibindo cerca de 500 µm de comprimento. Esta bactéria foi isolada do intestino de um peixe marinho (Surgeonfish, peixe barbeiro ou cirurgião), encontrado nas águas da Austrália e do Mar Vermelho. Além de apresentar dimensões nunca vistas, tal bactéria mostra-se totalmente diferente das demais quanto ao processo de divisão celular, que ao invés de ser por fissão binária, envolve um provável tipo de reprodução vivíparo, levando à formação de pequenos “glóbulos”, que correspondem às células filhas.

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Técnicas Utilizadas para Identificar e Isolar as Bactérias e Meios de Cultura

Coloração de Gram: é possível diferenciar bactérias Gram-negativas (vermelhas ou cor de rosa) de Gram-positivas (cor púrpura) pela capacidade de reter ou não o corante principal, cristal violeta, quando submetido a um tratamento descorante.

Composição Genética: a composição do material genético (DNA) é único para cada espécie.

Semeadura por esgotamento: utilizado para obtenção de colônias puras. Consiste em isolar a colônia de interesse em uma nova placa de petri.

Urinocultura Quantitativa: consiste no diagnóstico de infecção urinária, através da contagem das colônias bacterianas presentes no meio de cultura (CLED).

Crescimento: utilizando-se de meios de cultura, pode-se através da observação das características ( tamanho, cor, forma das colônias) produzidas por uma determinada espécie bacteriana, em cultura, variam com a composição do meio.

Atividades Bioquímica e Metabólica: durante o seu crescimento as bactérias produzem enzimas, produtos e secreções. Algumas espécies produzem ácidos sulfídrico, oxigênio, que permite à sua identificação.

SÉRIES BIOQUÍMICAS: através da verificação das transformações químicas que ocorrem no substrato pela ação do microrganismo pode-se identificar a bactéria. Baseia-se na utilização de carboidratos como fonte principal de energia, na decomposição de compostos nitrogenados (produção de indol, desdobramento da uréia, produção de gás sulfídrico). A série é composta por vários meios de cultura TSI, CITRATO, LISINA, URÉIA, GLICOSE E TESTE DE MOBILIDADE

Meios de cultura: são meios específicos para cultivar microrganismos, constituídos por substâncias que satisfazem as necessidades nutricionais dos microorganismos (PELCZAR, 1997).

Importância: Na microbiologia clínica ou de saúde pública é frequentemente necessária a determinação da presença de um microorganismo específico associado com doença ou com condições de pouca sanidade.

MEIOS SELETIVOS: são elaborados com o objetivo de favorecer o crescimento da bactéria de interesse impedindo o crescimento de outras bactérias. Exemplos: Manitol e MacConkey

Manitol: é um meio salino (7,5% de Cloreto de Sódio) com indicador de pH que provoca mudança da sua cor quando o manitol é fermentado e produzindo ácido, a única espécie capaz de realizar esta tranformação da coloração do meio é Stafhylococcus aureus

MEIO DIFERENCIAL: permite a diferenciação de organismos que cresce no meio, facilita a identificação da bactéria de interesse quando existem outras bactérias crescendo na mesma placa do meio de cultura.

Exemplos: Agar Sangue, contém células vermelhas do sangue, é muito utilizado pelos microbiologistas para identificação de espécies bacterianas capazes de destruir células sanguíneas. Ex: Staphylococcus.

MEIO SELETIVO E DIFERENCIAL: Podem esta combinadas as duas características no mesmo meio, são utilizados para a fácil identificação da colônia da bactéria de interesse.
MacConkey: contém sais biliares e cristal violeta que são inibidores do crescimento de bactérias gran-positivas. Contém também lactose que permite diferenciar bactérias fermentadoras gram-negativas capazes utilizar lactose (colônias vermelhas ou rosas) daquelas que não a utilizam (colônias incolores)

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Vírus

Os vírus são conhecido como parasitas inertes e intracelulares obrigatórios. Pois precisam da maquinaria enzimática e dos processos de transcrição e tradução executados pelas células hospedeiras. Sua origem ainda é discutida.
Os vírus possuem a capacidade de se cristalizarem, isso nada mais é do que virar simples cristais, o mais interessante é que não perder a característica infecciosa. Essa condições só acontece quando os mesmos se encontram em um ambiente desfavorável ao seu desenvolvimento, ambiente este denominado extracelular.
Então fica a questão: ser vivo ou ser inanimado??
“Reduzida à essência, a vida não passa do “crescei e multiplicai-vos”. A diferença fundamental entre o mundo vivo e o inanimado é nossa capacidade de produzirmos cópias de nós mesmos.”

Entenda o processo de cristalização desenvolvido pelo homem.

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Descubra a origem da palavra Patho logia..

Histórico da medicina: Quem foi Rudolf Virchow? (clique na foto)

Algumas definições sobre patologia.

A patologia aborda o estudo das doenças, nos seus aspectos clínicos, bioquímicos, fisiológicos, bacteriológicos, imunológicos, farmacológicos, morfológicos etc. Portando, o termo patologia tem um significado amplo e interdisciplinar que abrange o estudo completo da doença.

Etimologicamente, o termo patologia significa o estudo das doenças (do grego: pathos=sofrimento, doença, e logos= estudo, doutrina). No entanto, o conceito patologia não compreende todos os aspectos das doenças, que são muito numerosos e poderiam confundir a Patologia Humana com a Medicina. Esta, sim, aborda todos os elementos ou componentes das doenças e sua relação com os doentes. Na verdade, a Medicina é a arte e a ciência de promover a saúde e de prevenir, minorar ou curar os sofrimentos produzidos pela doença. De modo prático, a Patologia pode ser conceituada como a ciência que estuda as causas das doenças, os mecanismos que as produzem, as sedes e as alterações morfológicas e funcionais que apresentam. Como se vê, a patologia é apenas uma parte de um todo que é a medicina. Dentro dessa concepção , o diagnóstico clínico, a prevenção e a terapêutica das doença, não são objeto de estudo da patologia.
Os conceitos de patologia e medicina sempre vão convergir para um denominador comum: A DOENÇA.
Doença é a perturbação da saúde, isto é, o mal-estar causado por distúrbio físico, mental e social, levando a perda da harmonia dos fenômenos vitais, mas alguns autores nos mostram que não é somente dessa forma que se define a doença e sim principalmente pela falta de adaptação aos diversos fatores sejam eles físicos, psíquicos ou sociais.
Sobre a saúde e normalidade, podemos dizer que esse dois termos não possuem o mesmo significado. A palavra saúde é utilizada em relação ao individuo, enquanto o termo normalidade é utilizado em relação a parâmetros de parte estrutura ou funcional do organismo.

Fontes:
FARIAS, J.L. Patologia Geral. 2003
BOGLIOLO. Patologia. 2006
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"Chulé" … fungo ou bactérias??

Os pés e mãos contêm mais glândulas sudoríparas do que qualquer outra parte do corpo proporcionando a eliminação do suor.

O chulé é o nome popular dado à bromidrose quando acontece nos pés. A causa seria o suor excessivo na planta dos pés que é agravada pela falta de higiene.

Como consequência ocorre ação exclusiva de bactérias que decompõe o suor, esse processo de fermentação gera o mau cheiro. As bactérias habitam a nossa pele e fazem parte da microbiota normal, a falta de higiene e umidade excessiva acabam causando o desequilíbrio favorecido por um ambiente que torna permissivo o crescimento rápido de bactérias.

Portanto “chulé” não é causado por fungo, mais pode favorecer o aparecimento deste, já que há uma associação com umidade, temperatura elevada, desequilíbrio e falta de higiene. Ambiente totalmente favorável ao aparecimento das micoses.
Saiba mais:
O chulé.. (como evitar)
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Fungos..

Os fungos são seres eucariontes, aeróbitos obrigatórios ou facultativos, produtores de esporos, que possuem formas filamentosas (hifas) ou ovais (leveduras), de reprodução sexuada, assexuada ou parasexual. Uma característica importante é que são saprófitas, ou seja decompositores da biosfera.
Segundo Actor (2007), existem mais de 100.000 espécies de fungos (necessitam de matéria orgânica como fonte de energia) e cerca de 300 espécies são patogências ao homem causando alergias e efeitos tóxicos, mas acredito que esses números sejam bem maiores.
Os fungos são ubíquos, ou seja, ocorrem em todos os ambientes do planeta, sendo parasitas de vários animais e vegetais variando desde pequenas lesões até a morte. Outros fungos parasitas infectam plantas, causando doenças como a gomose. A grande parte das plantas vasculares possuem associações simbióticas com fungos, a nível da raiz, ao que se dá o nome de micorrizas. Esta associação ajuda as raízes na absorção de água e nutrientes.

Classificação dos fungos de importância médica:

  1. Ascomycota
  2. Deuteromycota (fungos imperfeitos) importância médica
  3. Oomycetos
  4. Zygomycota
  5. Basidiomycota

Os fungos possui significativa importância por serem ubíquos e pelo grande número de espécies, estando presente nas mais diversas áreas:

  • São utilizados na indústria produção de queijos e bebidas alcoólicas, alimentos -champignon (Agaricus campestris)
  • Na farmacologia penicilina (Penicillium); LSD – droga psicodisléptica (produzido a partir da ergotamina (Claviceps purpurea)
  • Alguns são agentes etiológicos de várias doenças; alergias
  • Produtores de toxinas como a aflatoxinas (Aspergillus flavus)
  • Impacto econômico na agricultura (fitopatógenos)
  • Contribuem para o estudo da Genética, Citologia e Bioquímica.

Saiba mais sobre fungos:

Reino Fungi

Importância ecológica e econômica dos fungos

Infecção hospitalar por levedura do gênero candida

Dermatoses em pacientes infectados por HIV (fungo: doença oportunista)

Imagens (micoses)

Micologia Clínica

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Formação do Biofilme Bacteriano

Nossa percepção de bactérias como organismos unicelulares baseia-se essencialmente no conceito de culturas puras, nas quais as células podem ser diluídas e estudadas a partir de culturas líquidas. Como praticamente todos os conceitos e conhecimentos microbiológicos foram adquiridos a partir do estudo de organismos em culturas puras, somente há alguns anos começamos a entender que, na realidade, a maioria das bactérias se encontra na natureza vivendo em comunidades, de maior ou menor estruturação.
O tipo de “ecologia” que imaginávamos em relação aos procariotos, ou seja, células individuais crescendo de maneira planctônica (livres, em suspensão), raramente é encontrado na natureza. Sabe-se atualmente que, quando em seus habitats naturais, via de regra as bactérias são encontradas em comunidades de diferentes graus de complexidade, associadas a superfícies diversas, geralmente compondo um biofilme, isto é, um ecossistema estruturado altamente dinâmico, que atua de maneira coordenada.
Assim, embora possam ter uma existência planctônica independente, este tipo de vida parece ser eventual.
Os biofilmes, complexos ecossistemas microbianos, podem ser formados por populações desenvolvidas a partir de uma única, ou de múltiplas espécies, podendo ser encontrados em uma variedade de superfícies bióticas e/ou abióticas. Desta maneira, muitos autores definem biofilmes como associações de microrganismos e de seus produtos extracelulares, que se encontram aderidos a superfícies bióticas ou abióticas.
Geralmente, a dinâmica de formação de um biofilme ocorre em etapas distintas. Inicialmente temos or organismos denominados colonizadores primários, que se aderem a uma superfície, geralmente contendo proteínas ou outros compostos orgânicos. As células aderidas passam a se desenvolver, originando microcolônias que sintetizam uma matriz exopolissacarídica (EPS), que passam a atuar como substrato para a aderência de microrganismos denominados colonizadores secundários. Estes colonizadores secundários podem se aderir diretamente aos primários, ou promoverem a formação de coagregados com outros microrganisos e então se aderirem aos primários.
Comportamento coletivo
Há várias décadas, foi proposto que as bactérias poderiam corresponder a organismos interativos, capazes de atuar coletivamente, facilitando sua adaptação às alterações ambientais. Para que um biofilme de uma ou várias espécies seja formado, é necessário o estabelecimento de um comportamento multicelular, que se reflete em atividades coordenadas de interação e comunicação dos vários organismos. Assim, os biofilmes não são simples camadas viscosas contendo organismos. Estes representam sistemas biológicos altamente organizados, onde as bactérias estabelecem comunidades funcionais estruturadas e coordenadas.
Um dos mecanismos de comunicação interbacteriana que vem se mostrando extremamente importante na formação e desenvolvimento de biofilmes corresponde ao quorum sensing.

Disponibilidade de nutrientes e cooperatividade metabólica
Os canais aquosos dos biofilmes podem ser comparados a um sistema circulatório primitivo, permitindo a troca de nutrientes e metabólitos, assim como a remoção de metabótilos potencialmente tóxicos. Em um biofilme, torna-se possível a cooperação metabólica. Por exemplo, a degradação de compostos orgânicos complexos, originando metano e CO2 durante uma digestão anaeróbia, requer pelo menos três grupos de organismos. As bactérias fermentativas iniciam o processo, gerando ácidos e álcoois, que são utilizados por bactérias acetogênicas. Finalmente, as metanogênicas convertem o acetato, CO2 e hidrogênio, produzindo metano.
Os biofilmes são ambientes ideais para o desenvolvimento de relaçoes sintróficas, que é um tipo de simbiose onde dois tipos de organismos metabolicamente distintos dependem um do outro para utilizarem certos substratos, na produção de energia.

Aquisição de novas características genéticas
Várias bactérias possuem plasmídeos, conferindo as mais diversas características. Estes podem ser transferidos horizontalmente por conjugação, para diferentes espécies presentes em um bioflme. Estudo foram realizados com placas dentais artificiais, formadas inicialmente por bactérias do gênero Streptococcus. Uma linhagem de Bacillus, contendo um transposon conjugativo albergando genes de resistência à tetraciclina, foi inserida no sistema e transferiu este transposon para células de Streptococcus.
A transdução pode, teoricamente, ser responsável pela transferência horizontal de genes em biofilmes. Tal hipótese baseia-se no fato de sistemas marinhos e de água doce contêm uma enorme abundância de bacteriófagos (cerca de 108/ml), sendo responsáveis pela lise de um grande número de bactérias. Diariamente, de 10 a 20% da população bacteriana é lisada por fagos, os quais têm relevante impacto na cadeia alimentar microbiana uma vez que podem aumentar as taxas de mortalidade e/ou reduzir as taxas de crescimento em todos os níveis tróficos. Estudos recentes revelam que os fagos podem estruturar ou restruturar comunidades microbianas. Em uma análise, onde uma população de cianobactérias foi praticamente exterminada pelos fagos, observou-se a presença de novas espécies capazes de degradas os compostos orgânicos que surgiram.

Papel dos biofilmes nas doenças
Até o momento, a vasta maioria das doenças infecciosas vem sendo tratada eficientemente com antibióticos entretanto, de acordo com as pesquisas mais recentes, sabemos que tal tipo de estratégia pode ser ineficaz em duas situações: 1) com organismos exibindo resistência inata à droga e 2) em bactérias presentes em biofilmes. Em um biofilme, as bactérias podem ser 1000 vezes mais resistente a um antibiótico, quando comparadas às mesmas células planctônicas, embora os mecanismos envolvidos nesta resistência sejam ainda pouco conhecidos. Dentre os possíveis mecanismos, acredita-se que possa haver a inativação da droga por polímeros ou enzimas extracelulares, ou a ineficiência da droga em decorrência de taxas de crescimento muito lentas no interior dos biofilmes.
Infecções assciadas a biofilmes geralmente são de natureza recorrente, visto que as terapias antimicrobianas convencionais eliminam
predominantemente as formas planctônicas, deixando as células sésseis livres para se reproduzir e propagar no biofilme após o tratamento. Para tornar o quadro ainda mais grave, as bactérias presentes nos biofilmes encontram-se mais protegidas contra o sistema imune do hospedeiro.
Exemplos típicos de doenças associadas a biofilmes incluem as infecções de implantes tais como válvulas cardíacas, catéteres, lentes de contato, etc.
Os biofilmes podem ainda promover doenças se formados em tecidos, tais como nas infecções pulmonares provocadas por Pseudomonas aeruginosa, em pacientes com fibrose cística, que são suscetíveis a infecções crônicas por esta bactéria. A periodontite é outro exemplo de doença provocada por biofilmes. O principal microrganismo associado a esta doença, Porphyromonas gingivalis,
coloniza uma grande de superfícies orais direta ou indiretamente, sendo então capaz de invadir as células das mucosas e liberar toxinas.

fonte:http://www.unb.br

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Coloração de Endósporos

Preparo do esfregaço

Suspender uma pequena porção da amostra bacteriana a ser corada em uma gota de água ou solução salina 0,85%, sobre uma lâmina de microscópio, espalhando a gota. Este procedimento deve ser feito com um alça bacteriológica flambada ou um palito de madeira esterilizado. Deixar o material secar e, em seguida, fixá-lo com calor, flambando rapidamente a lâmina acima da chama de um bico de Bunsen.


Aplicação do corante primário

Cobrir toda a sua superfície da lâmina com o corante verde de malaquita e manter a lâmina sobre a chama do bico de Bunsen até o corante emitir vapores. Deixar esfriar por cinco minutos. Enxaguar a lâmina com água.


Aplicação do corante secundário

Cobrir toda a sua superfície da lâmina com o corante safranina ou fucsina; deixar em repouso por trinta segundos. Enxaguar a lâmina com água e tocar as bordas com papel absorvente para remoção do excesso de água.

Resultados

Examinar a amostra ao microscópio óptico. As células vegetativas apresentarão coloração avermelhada e os esporos serão corados em verde. As figuras 1 e 2 são micrografias ópticas de Bacillus subtillis e Bacillus cereus, respectivamente, onde as células vegetativas aparecem coradas em vermelho e os endósporos aparecem corados em verde.


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