Blog: Biomedico

Para um antígeno há sempre uma resposta

A defesa do hospedeiro é baseada na disponibilidade de recursos para combater um patógeno localizado. Virtualmente todos os patógenos possuem uma fase extracelular durante a qual eles são vulneráveis aos mecanismos efetores mediados por anticorpos. Um agente extracelular pode residir nas superfícies de células epiteliais, onde anticorpos (IgA) e células inflamatórias não-específicas podem ser suficientes para combater a infecção. Mas se o agente reside dentro de espaços intesticiais, no sangue ou linfa então a proteção pode também incluir componentes do complemento, fagocitose por macrófagos e respostas de neutralização. Agente intracelulares necessitam de uma resposta diferente para serem efetivos, seria ativação e linfócitos T, células NK e macrófagos dependente de células T. Ler mais…


Chulé fungo ou bactérias??

Os pés e mãos contêm mais glândulas sudoríparas do que qualquer outra parte do corpo proporcionando a eliminação do suor. O chulé é o nome popular dado à bromidrose quando acontece nos pés. Ler mais…


Técnico em Patologia Clínica INSCRIÇÃO CFF CRF

Técnico em Patologia Clínica. Para se inscrever e obter a carteira profissional de Técnico em Patologia Clínica a pessoa deve ter diploma em Técnicos em Análises Clínicas, Técnicos em Patologia Clínica ou Auxiliar Técnico de Patologia Clínica Ler mais…


Auxiliar Técnico de Patologia Clínica INSCRIÇÃO CFF CRF

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A patologia e suas divisões

Segundo Farias (2003), Bogliolo (2007), a patologia divide-se em duas grandes áreas: a geral e a especial ou dos orgãos. A patologia geral estuda os processos patológicos de um modo geral nas células e nos tecidos, ou seja aspectos comuns às diferentes doenças no que se refere a causa, mecanismo patogenéticos, lesões estruturais e alterações na função, sem considerar em que órgão estão localizados. Ler mais…


Transcriptase reversa

Transcriptase reversa (também conhecida como DNA-polimerase RNA-dependente), é uma enzima que realiza um processo de transcrição ao contrário em relação ao padrão celular. Essa enzima polimeriza moléculas de DNA a partir de moléculas de RNA, exatamente o oposto do que geralmente ocorre nas células, nas quais é produzido RNA a partir de DNA.

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Introdução a microbiologia

Microbiologia: Mikros (= pequeno) + Bio (= vida) + logos (= ciência). A Microbiologia era definida, até recentemente, como a área da ciência que dedica-se ao estudo dos microrganismos, um vasto e diverso grupo de organismos unicelulares de dimensões reduzidas, que podem ser encontrados como células isoladas ou agrupados em diferentes arranjos (cadeias ou massas), sendo que as células, mesmo estando associadas, exibiriam um caráter fisiológico independente.

Infecção hospitalar: artigos relacionados

  1. Infecção hospitalar e suas implicações para o cuidar da enfermagem2. Freqüência de cepas produtoras de enzima beta lactamase de espectro expandido (ESBL) e perfil de susceptibilidade de Klebsiella pneumoniae em hemoculturas no berçário de um hospital de Fortaleza3. Desafios do cuidar em saúde frente a resistência bacteriana: uma revisão

Meios de cultura


Técnicas Utilizadas para Identificar e Isolar as Bactérias e Meios de Cultura

Coloração de Gram: é possível diferenciar bactérias Gram-negativas (vermelhas ou cor de rosa) de Gram-positivas (cor púrpura) pela capacidade de reter ou não o corante principal, cristal violeta, quando submetido a um tratamento descorante.

Composição Genética: a composição do material genético (DNA) é único para cada espécie.

Semeadura por esgotamento: utilizado para obtenção de colônias puras. Consiste em isolar a colônia de interesse em uma nova placa de petri.

Urinocultura Quantitativa: consiste no diagnóstico de infecção urinária, através da contagem das colônias bacterianas presentes no meio de cultura (CLED).

Crescimento: utilizando-se de meios de cultura, pode-se através da observação das características ( tamanho, cor, forma das colônias) produzidas por uma determinada espécie bacteriana, em cultura, variam com a composição do meio.

Atividades Bioquímica e Metabólica: durante o seu crescimento as bactérias produzem enzimas, produtos e secreções. Algumas espécies produzem ácidos sulfídrico, oxigênio, que permite à sua identificação.

SÉRIES BIOQUÍMICAS: através da verificação das transformações químicas que ocorrem no substrato pela ação do microrganismo pode-se identificar a bactéria. Baseia-se na utilização de carboidratos como fonte principal de energia, na decomposição de compostos nitrogenados (produção de indol, desdobramento da uréia, produção de gás sulfídrico). A série é composta por vários meios de cultura TSI, CITRATO, LISINA, URÉIA, GLICOSE E TESTE DE MOBILIDADE

Meios de cultura: são meios específicos para cultivar microrganismos, constituídos por substâncias que satisfazem as necessidades nutricionais dos microorganismos (PELCZAR, 1997).

Importância: Na microbiologia clínica ou de saúde pública é frequentemente necessária a determinação da presença de um microorganismo específico associado com doença ou com condições de pouca sanidade.

MEIOS SELETIVOS: são elaborados com o objetivo de favorecer o crescimento da bactéria de interesse impedindo o crescimento de outras bactérias. Exemplos: Manitol e MacConkey

Manitol: é um meio salino (7,5% de Cloreto de Sódio) com indicador de pH que provoca mudança da sua cor quando o manitol é fermentado e produzindo ácido, a única espécie capaz de realizar esta tranformação da coloração do meio é Stafhylococcus aureus

MEIO DIFERENCIAL: permite a diferenciação de organismos que cresce no meio, facilita a identificação da bactéria de interesse quando existem outras bactérias crescendo na mesma placa do meio de cultura.

Exemplos: Agar Sangue, contém células vermelhas do sangue, é muito utilizado pelos microbiologistas para identificação de espécies bacterianas capazes de destruir células sanguíneas. Ex: Staphylococcus.

MEIO SELETIVO E DIFERENCIAL: Podem esta combinadas as duas características no mesmo meio, são utilizados para a fácil identificação da colônia da bactéria de interesse.
MacConkey: contém sais biliares e cristal violeta que são inibidores do crescimento de bactérias gran-positivas. Contém também lactose que permite diferenciar bactérias fermentadoras gram-negativas capazes utilizar lactose (colônias vermelhas ou rosas) daquelas que não a utilizam (colônias incolores)


Microbiota Bacteriana Humana

Todo ser humano nasce sem microrganismos. A aquisição da microbiota bacteriana envolve uma transmissão horizontal, ou seja, infecciosa de microrganismos. A colonização de superfícies expostas como a pele, o trato respiratório, o sistema gênito-urinário e o trato digestório, começa imediatamente após o nascimento seja durante o parto normal, parto cesariana ou amamentação. Padrões de alimentação, hospitalização e tratamento com antibióticos são fatores que afetam a composição da microbiota intestinal em crianças.

As diversas partes do corpo humano apresentam condições ambientais diversas que oferecem certas vantagens e desvantagens para a vida microbiana. Diferentes espécies de microrganismos adaptam-se aos distintos ambientes do corpo.

A microbiota normal humana desenvolve-se por sucessões, desde o nascimento até as diversas fases da vida adulta, resultando em comunidades bacterianas estáveis.

Os fatores que controlam a composição da microbiota em uma dada região do corpo estão relacionados com a natureza do ambiente local, tais como temperatura, pH, água, oxigenação, nutrientes e fatores mais complexos como a ação de componentes do sistema imunológico.

Estima-se que o corpo humano que contém cerca de 10 trilhões de células seja rotineiramente portador de aproximadamente 100 trilhões de bactérias. A composição da microbiota bacteriana humana é relativamente estável com gêneros específicos ocupando as diversas regiões do corpo durante períodos particulares na vida de um indivíduo. A microbiota humana desempenha funções importantes na saúde e na doença.

Os microrganismos membros da microbiota humana podem existir como (1) mutualistas, quando protegem o hospedeiro competindo por micro-ambientes de forma mais eficiente que patógenos comuns (resistência à colonização), produzindo nutrientes importantes e contribuindo para o desenvolvimento do sistema imunológico; (2) comensais, quando mantêm associações aparentemente neutras sem benefícios ou malefícios detectáveis e (3) oportunistas, quando causam doenças em indivíduos imunocomprometidos devido à infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, terapia imunossupressora de transplantados, radioterapia, quimioterapia anticâncer, queimaduras extensas ou perfurações das mucosas.

A microbiota humana constitui um dos mecanismos de defesa contra a patogênese bacteriana, mas ainda que a maioria dos componentes da microbiota normal seja inofensiva a indivíduos sadios, esta pode constituir um reservatório de bactérias potencialmente patogênicas. Muitas bactérias da microbiota normal podem agir como oportunistas. Nestas condições a microbiota residente pode ser incapaz de suprimir patógenos transitórios, ou mesmo, alguns membros da microbiota podem invadir os tecidos do hospedeiro causando doenças muitas vezes graves. Em indivíduos sadios, algumas espécies de bactérias da microbiota oral causam cáries em 80% da população.

Fontes

Madigan MT, Martinko JM & Parker J. 1996. Biology of microorganisms, 8th. Prentice Hall, NJ, USA.

Trabulsi L.R et al. 1999. Microbiologia, 2a ed., Atheneu, SP.


Microbiologia na Atualidade

A Microbiologia na atualidadeA definição clássica de “microbiologia” mostra-se bastante imprecisa, e até mesmo inadequada, frente aos dados da literatura publicados nesta última década. Como exemplo pode-se citar duas premissas que já não podem mais ser consideradas como verdade absoluta na conceituação desta área de conhecimento: as dimensões dos microrganismos e a natureza independente destes seres.Em 1985 foi descoberto um organismo, denominado Epulopiscium fischelsoni que, a partir de 1991, foi definido como sendo o maior procarioto já descrito, exibindo cerca de 500 µm de comprimento. Esta bactéria foi isolada do intestino de um peixe marinho (Surgeonfish, peixe barbeiro ou cirurgião), encontrado nas águas da Austrália e do Mar Vermelho. Além de apresentar dimensões nunca vistas, tal bactéria mostra-se totalmente diferente das demais quanto ao processo de divisão celular, que ao invés de ser por fissão binária, envolve um provável tipo de reprodução vivíparo, levando à formação de pequenos “glóbulos”, que correspondem às células filhas.


Microbiologia na Antártica

As biólogas Vivian Pellizari e Cristina Nakayama, doInstituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), são pesquisadoras brasileiras que estão com os olhos, ou melhor, os microscópios na Antártica. Elas já estiveram no continente gelado fazendo monitoramento ambiental dos impactos da presença humana na área da Estação Comandante Ferraz. Agora, as especialistas em microbiologia preparam-se para voltar à região em novembro para ampliar a pesquisa, coletando mais amostras de microorganismo. Dessa vez, graças à mobilização do Ano Polar, o trabalho é maior. Elas vão ajudar a criar um banco de dados dos microorganismos antárticos, que, além de fazer parte do Censo da Vida Marinha Antártica, vão estar disponíveis no banco de microbiologia da Universidade de Campinas, junto com as amostras de outros ecossistemas terrestres


Invasão e Residência Intracelular

Células fagocíticas (por exemplo, macrófagos) formam pseudópodos por meio de rearranjos do citoesqueleto que envolvem polimerização e despolimerização da actina. Estas células fagocitam bactérias pela emissão de pseudópodos que as capturam e internalizam. Algumas bactérias possuem proteínas de superfície denominadas de invasinas que provocam alterações no citoesqueleto de células não-fagocíticas que emitem uma projeção da membrana plasmática semelhante a um pseudópodo, fagocitando a bactéria. O mecanismo de ação das invasinas não está claro. Estas proteínas são também denominadas de fatores de invasão.

Bactérias fagocitadas por células do hospedeiro são inclusas em uma bolsa membranosa denominada fagossomo. No citoplasma, o fagossomo funde-se a uma outra vesícula membranosa, o lisossomo, que contém enzimas hidrolíticas que digerem a bactéria. Algumas bactérias patogênicas como Salmonella enterica sorovar Typhi e Shigella dysenteriae conseguem romper a membrana do fagossomo antes que esta se funda com um lisossomo. Desta forma, alcançam o citoplasma onde se multiplicam. O citoplasma oferece nutrientes e proteção contra os mecanismos imunológicos, além de proteger parcialmente contra antibióticos. Interagindo com os filamentos de actina a bactéria movimenta-se pelo citoplasma e alcança as células adjacentes.

Muitos patógenos intestinais possuem invasinas que interagem com certas proteínas de células da mucosa do hospedeiro, as integrinas, localizadas na sua porção baso-lateral. Existe a possibilidade de que as invasinas que interagem com integrinas mediem a invasão destas células por baixo. Alguns patógenos intestinais usam as células M da mucosa como porta de entrada para os tecidos subjacentes. As células M são fagocíticas e bactérias que a elas se anexem, muito provavelmente serão fagocitadas e transportadas ao tecido linfóide subjacente à mucosa. Se as bactérias escapam dos macrófagos associados ao tecido linfóide, as células M constituem uma forma conveniente do uso do sistema imunológico do hospedeiro para a invasão. As invasinas poderiam estimular as células M a fagocitar a bactéria.


Histórico da importância da microbiologia

Efeitos das doenças nas civilizaçõesTalvez um dos aspectos mais negligenciados quando se estuda a microbiologia refere-se às profundas mudanças que ocorreram no curso das civilizações, decorrentes das doenças infecciosas.De forma geral, as doenças provocavam um abatimento físico e moral da população e das tropas, muitas vezes influenciando no desenrolar e no resultado de um conflito.A própria mobilização de tropas, resultando em uma aglomeração, muitas vezes longa, de soldados, em ambientes onde as condições de higiene e de alimentação eram geralmente inadequadas, também colaborava na disseminação de doenças infecciosas, para as quais nnao exisitam recursos terapêuticos.Paralelamente, em áreas urbanas em franca expansão, os problemas mencionados acima eram também de grande importância, pois rapidamente as cidades cresciam, sendo que as instalações sanitárias geralmente eram completamente precárias.Com a prática do comércio entre as diferentes nações emergentes, passou a haver a disseminação dos organismos para outras populações, muitas vezes susceptíveis a aqueles agentes infecciosos.Abaixo listaremos, brevemente, um pequeno histórico com alguns exemplos dos efeitos das doenças microbianas no desenvolvimento de diferentes civilizações.O declínio do Império Romano, com Justiniano (565 AC), foi acelerado por epidemias de peste bubônica e varíola. Muitos habitantes de Roma foram mortos, deixando a cidade com menos poder para suportar os ataques dos bárbaros, que terminaram por destruir o Império.Durante a Idade Média varias novas epidemias se sucederam, sendo algumas amplamente disseminadas pelos diferentes continentes e outras mais localizadas. Dentre as principais moléstias pode-se citar: Tifo, varíola, sífilis, cólera e peste.Em 1346, a população da Europa, Norte da África e Oriente Médio era de cerca de 100 milhões de habitantes. Nesta época houve uma grande epidemia da peste, que disseminou-se através da “rota da seda” (a principal rota mercante para a China), provocando um grande número de mortes na Ásia e posteriormente espalhando-se pela Europa, onde resultou em um total de cerca de 25 milhões de pessoas, em poucos anos.Novas epidemias da peste ocorreram nos séculos XVI e XVII, sendo que no século XVIII (entre 1720 e 1722), uma última grande epidemia ocorreu na França, matando cerca de 60% da população de Marselha, de Toulon,. 44% em Arles, 30% em Aix e Avignon.A epidemia mais recente de peste originou-se na China, em 1892, disseminando-se pela Índia, atingindo Bombaim em 1896, sendo responsável pela morte de cerca de 6 milhões de indivíduos, somente na Índia.Antes da II Guerra Mundial, o resultado das guerras era definido pelas armas, estratégias e “pestilência”, sendo esta última decisiva. Em 1566, Maximiliano II da Alemanha reuniu um exército de 80.000 homens para enfrentar o Sultão Soliman da Hungria. Devido a uma epidemia de tifo, o exército alemão foi profundamente dizimado, sendo necessária a dispersão dos sobrevivente, impedindo assim a expulsão das hordes de tribos orientais da Europa nesta época.Na guerra dos 30 anos (1618-1648), onde protestantes se revoltaram contra a opressão dos católicos, além do desgaste decorrente da longa duração do confronto, as doenças foram determinantes no resultado final.Na época de Napoleão, em 1812, seu exército foi quase que completamente dizimado por tifo, disenteria e pneumonia, durante campanha de retirada de Moscou. No ano seguinte, Napolãeo havia recrutado um exército de 500.000 jovens soldados, que foram reduzidos a 170.000, sendo cerca de 105.000 mortes decorrentes das batalhas e 220.000 decorrentes de doenças infecciosas.Em 1892, outra epidemia de peste bubônica, na China e Índia, foi responsável pela morte de 6 milhões de pessoas. Até a década de 30, este era quadro, quando Alexander Fleming, incidentalmente, descobriu um composto produzido por um fungo do gênero Penicillium, que eliminava bactérias do gênero Staphylococcus, um organismo que pode produzir uma vasta gama de doenças no homem. este composto denominado penicilina teve um papel fundamental na desfecho da II Guerra Mundial, uma vez que passou a ser administrado às tropas aliadas, enquanto o exército alemão continuava a sofrer pesadas baixas no campo de batalha.Além destas epidemias, vale ressaltar a importância das diferentes epidemias de gripe que assolaram o mundo e que continuam a manifestar-se de forma bastante intensa até hoje. Temos ainda o problema mundial envolvendo a AIDS, o retorno da tuberculose (17 milhões de casos no Brasil) e do aumento progressivo dos níveis de resistência aos agentes antimicrobianos que vários grupos de bactérias vêm apresentando atualmente.


Fatores de colonização

Uma vez que muitas das defesas não-específicas envolvem a remoção mecânica do patógeno, fatores de aderência são atributos que permitem à bactéria aderir-se nos tecidos do hospedeiro impedindo ou dificultando sua remoção. Os fatores de aderência (também denominados, fatores de colonização, adesinas ou antígenos de aderência) são componentes estruturais das células bacterianas que as capacitam a colonizar, sobreviver e multiplicar-se em um dado tecido. Praticamente todos os patógenos possuem estratégias de adesão aos tecidos de seus hospedeiros. A adesão é particularmente importante em órgãos como a boca, o intestino delgado e a bexiga.
Nestes sítios, a superfície das mucosas são constantemente banhadas por fluidos. Por exemplo, quando o intestino delgado de uma pessoa torna-se infectado com linhagens diarregênicas de Escherichia coli, a adesão às células da mucosa desse órgão evita que a bactéria seja removida pelos movimentos peristálticos, sendo um evento essencial para a colonização e um dos primeiros passos para o estabelecimento de uma quadro clínico. Os fatores de colonização são produzidos por numerosos bactérias e constituem um passo vital para o processo infeccioso, aumentando as chances de sobrevivência no hospedeiro, sendo reconhecidos fatores de virulência. Dois sistemas de aderência são bem conhecidos em bactérias: os mediados por fímbrias e os mediados por cápsulas.

Fímbrias

Fímbrias são filamentos protéicos delgados que se projetam da superfície da bactéria e a adesão ocorre quando sítios de ligação em suas extremidades reagem com receptores específicos situados na superfície das células do hospedeiro. Esses receptores são comumente resíduos de carboidratos de glicoproteínas ou de glicolipídeos. Normalmente, tais moléculas estão envolvidas com a fixação da célula em seu tecido específico. As bactérias fimbriadas subvertem a função normal desses receptores para proveito próprio.
A ligação de uma fímbria a um receptor é tecido-específica e espécie-específica. Essa especificidade irá determinar se uma bactéria poderá ou não colonizar um dado tecido de um determinado hospedeiro. A ausência de um receptor específico para uma fímbria particular pode tornar um hospedeiro imune à infecção por um determinado patógeno.
Para causar uma infecção, muitas bactérias precisam primeiramente aderir à superfície de um tecido do hospedeiro como às superfícies das mucosas das vias aéreas superiores ou do intestino delgado. No trato respiratório superior, as células ciliadas movimentam muco e bactérias aprisionadas em direção à laringe. A mucosa do intestino delgado, por sua vez, é continuamente limpa pela liberação de muco e pela atividade peristáltica. Além disso, as células dos epitélios renovam rapidamente as suas. Por exemplo, a monocamada epitelial do trato intestinal é continuamente preenchida e novas células são movidas das criptas para as extremidades das vilosidades em cerca de 48 horas. Para que uma bactéria estabeleça uma infecção no intestino, esta deve aderir-se firmemente ao epitélio e multiplicar-se antes de ser removida pelo muco e pela extrusão das células epiteliais.
Bactérias colonizando um tecido estão constantemente perdendo suas fímbrias por quebra mecânica devido à fragilidade de suas estruturas. Por outro lado, estas estão continuamente sintetizando e montando novas unidades. O hospedeiro é capaz de produzir anticorpos que se aderem às pontas das fímbrias bloqueando fisicamente a interação com seus receptores celulares e, conseqüentemente, impedindo sua aderência ao tecido. Algumas bactérias são capazes de produzir diferentes tipos de fímbrias, tornando obsoleta a resposta imune. Algumas bactérias que causam infecções do trato urinário e gonorréia usam essa estratégia tornando praticamente impossível a montagem de uma resposta imunológica que evite a colonização.
Muitas bactérias patogênicas parecem usar fímbrias para um contato inicial, seguido de uma anexação mais firme envolvendo proteínas de superfície que promovem um contato íntimo de sua superfície com a da célula do hospedeiro.
As fímbrias mais bem estudadas são aquelas de bactérias Gram-negativas, especialmente as de linhagens de E. coli associadas a diarréia em humanos e animais que aderem às células da mucosa do intestino delgado de seus hospedeiros através de diferentes fímbrias espécie-específicas.
Algumas bactérias Gram-positivas possuem estruturas de superfície semelhantes a fímbrias mas sua função na colonização não está clara.

Adesinas não-fibrilares

Algumas bactérias possuem proteínas de superfície que são componentes importantes de sistemas que mediam a adesão e/ou a invasão de células de um determinado tecido. Diferentes linhagens da mesma espécie bacteriana podem ter sua aderência mediada por adesinas não-fibrilares ou por fímbrias. Por exemplo, linhagens enteropatogênicas de E. coli (EPEC) aderem às células da mucosa do intestino delgado através de proteínas de superfície enquanto que linhagens enterotoxigênicas de E. coli (ETEC) aderem a estas mesmas células por meio de fímbrias.

Cápsulas

Cápsulas são redes de polímeros não bem estruturadas e que recobrem frouxamente a superfície bacteriana. As cápsulas são formadas principalmente por camadas de polissacarídeos produzidas em grandes quantidades e que muitas vezes confinam uma população de bactérias em uma massa densa e viscosa. Por exemplo, a placa bacteriana dos dentes é freqüentemente composta de uma comunidade multi-específica de bactérias atuando em consórcio e que pela produção de cápsulas formam uma massa polissacarídica que promove a firme adesão dessa comunidade bacteriana nos dentes, nas gengivas e na língua.
Bactérias encapsuladas são mais virulentas e mais resistentes à fagocitose que as não-encapsuladas. Microrganismos que causam bacteremia, como Pseudomonas aeruginosa, apresentam maior resistência sérica que outras bactérias. A resistência sérica pode estar relacionada à quantidade e a composição dos antígenos capsulares. A bactéria Salmonella typhi possui um antígeno de superfície, o antígeno Vi, composto de um polímero de galactosamina, que se acredita aumentar sua virulência.
Algumas bactérias têm capacidade de sobreviver e multiplicar-se em fagócitos. Um exemplo é a bactéria Mycobacterium tuberculosis, cuja sobrevivência parece depender da estrutura e composição de sua superfície celular.

Biofilmes

Biofilmes são comunidades complexas de microrganismos compostas por densos agregados de células microbianas embebidas em uma matriz viscosa produzida por elas mesmas a anexada a superfícies. Biofilmes bacterianos formam-se em muitos tipos de ambientes e têm sido observados em micrografias eletrônicas dos tratos vaginal, bucal e intestinal. A microbiota residente nestes sítios pode estar organizada em biofilmes e os densos tegumentos que formam podem explicar em parte sua barreira funcional na proteção ao seu hospedeiro.
Os biofilmes têm importância clínica por constituírem um mecanismo de colonização da superfície dos dentes, de cateteres e de implantes plásticos como válvulas cardíacas artificiais, podendo causar doenças graves. Infecções hospitalares em pacientes com cateteres urinários ou venosos são geralmente precedidas pela formação de biofilmes nas paredes internas dos cateteres: fragmentos liberados do biofilme podem penetrar na bexiga ou na corrente sangüínea.
Cateteres estão especialmente sujeitos ao desenvolvimento de biofilmes. Instrumentos esterilizados contaminam-se com membros da microbiota orgânica durante sua inserção. Se o cateter permanecer no local por um período de tempo, os biofilmes desenvolvem-se e servem de fonte de infecções duradouras por liberam células bacterianas continuamente.
Microrganismos presentes em biofilmes são mais refratários a antibióticos que organismos livres e são parcialmente protegidos da ação destruidora dos fagócitos. Implantes plásticos contaminados com bactérias são removidos cirurgicamente ao invés de se tratar o paciente com antibióticos. A capacidade de formar biofilmes sobre superfícies plásticas deve ser considerada como um fator de virulência bacteriana.