Doença meningocócica e Meningite.

O que é?

“A doença meningocócica” não é o mesmo que “a meningite”. “Doença meningocócica” pode resultar em septicemia meningocócica (infecção no sangue) ou pode provocar a meningite meningocócica, ou ambos os tipos de infecção, ao mesmo tempo.

Esta doença pode, então, ocorrer de duas formas:

  • Septicemia meningocócica, também chamada meningococcemia, ocorre quando as bactérias infectam a corrente sanguínea e causa septicemia,
  • Meningite meningocócica quando a bactéria infecta as membranas que cobrem o cérebro e espinal-medula. Esta, geralmente é causada por um vírus ou uma bactéria.

A meningite causada por um vírus, também denominada de meningite asséptica, é relativamente leve e cura-se em uma ou duas semanas sem um tratamento específico. Enquanto que, a meningite bacteriana é muito mais grave e pode provocar danos cerebrais, perda de audição ou aprendizagem e em alguns casos resulta em morte. 

 

Quais as bactérias que causam meningite bacteriana?

São três os tipos de bactérias que mais comummente causam meningite bacteriana: Haemophilus influenzae tipo b (Hib), Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae.

Antes da década de 1990, Hib era a principal causa de meningite bacteriana, mas a sua ocorrência foi diminuindo com a introdução da vacina no plano nacional de vacinação. Hoje em dia a Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae são as principais causas de meningite bacteriana. 

A Neisseria meningitidis é responsável pela meningite meningocócica e o Streptococcus pneumoniae é responsável pela meningite pneumocócica. 

É importante saber que tipo de bactéria causa a meningite bacteriana para assim fazer um tratamento direccionado com o antibiótico adequado, de forma a prevenir a proliferação da bactéria e possíveis contágios.


Microrganismo:

 

A bactéria Neisseria é um diplococo Gran-negativos não formador de esporos. É aeróbia ou anaeróbia facultativa e pode crescer a uma temperatura próxima da temperatura humana. Este gênero de bactéria é constituído de dez espécies, duas das quais são patogénicas estritas do homem, a Neisseria gonorrheae, o agente causador da gonorreia, e a Neisseria meningitidis, o agente já aqui referido como causador da meningite meningocócica. 

N. meningitidis mais vulgarmente denominada de meningococo, possui pelo menos 13 serogrupos, dos quais os principais são o A, B, C, W135 e Y. Pode ser comumente encontrada no nariz e na garganta de aproximadamente 50-10% das pessoas saudáveis, sem nunca causar a doença. Essas pessoas são chamadas de portadores assintomáticos.

A meningite meningocócica tipicamente começa com uma infecção da garganta, levando à bacteremia e eventualmente á meningite. Ocorre em geral em crianças com menos de 2 anos, principalmente após a imunidade materna enfraquecer, com cerca de 6 meses. Esta bactéria é revestida com uma cápsula polissacarídica que a torna resistente ao ataque dos leucócito e a maioria dos sintomas é causada por endotoxinas. A morte pode ocorrer em algumas horas.

O meningococo infecta pessoas saudáveis e é transmitido por intermédio de um contacto muito próximo entre pessoas através de secreções respiratórias, ao tossir, e secreções salivares. Embora muitas pessoas transportem a bactéria no nariz e garganta sem qualquer tipo de problemas, podem transmiti-la aos outros, provocando a doença.

Mal entra nas vias respiratórias, pode espalhar-se a outras áreas do corpo através da circulação sanguínea e invade o corpo até atingir o líquido da coluna vertebral atingindo a meninge, começa então por multiplicar-se rapidamente, não possibilitando as defesas do organismo.

O risco de contaminação é enorme na primeira semana de contacto e o período de incubação é de 2-10 dias até os sintomas começarem a aparecer.

A princípio os sintomas resultam da infecção, a qual acarreta um aumento na pressão intracraniana. Esses sintomas incluem:

  • Febre alta;
  • Náuseas e
    vómitos;
  • Cefaleia e irritabilidade;
  • Rigidez da nuca, ombro ou das costas;
  • Aparecimento de manchas (geralmente nas pernas), podendo evoluir ate grandes lesões;
  • * Resistência à flexão do pescoço.